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Prólogo Nome: São tantos nomes, tantos rostos. Por hora basta que me chame de Sandman se te faz feliz Local: Aqui, alí, acolá, onde a próxima página em branco se abrir O que amo: Contos, RPG, Musica, Livros, Poesias, Filmes, beijos O que odeio: Palavra forte demais O que não tolero: falsidade, hipocrisia, pergunta idiota, gente futil. Minhas Metas: Ser feliz não importa onde Direitos Autorais: © Todos os direitos são reservados. Os direitos autorais são protegidos pela Lei nº 9.610 de 19/2/98. Violá-los é crime estabelecido pelo Artigo 184 do Código Penal Brasileiro. Se você quiser copiar, não esqueça de divulgar a autoria.
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7:25 PM Lembranças... Os olhos azuis olhavam para o alto, até onde a vista poderia alcançar o final dos arranha céus de metal que faziam parte de Tokyo naquela época. O vento se incubia de bagunçar-lhe os cabelos negros com algumas mechas de um tom de vermelho sangue, que lhe caiam nos olhos imaculadamente azuis, atrapalhando assim para onde ele pretendia olhar. Era meio dia, e não havia sol. Ele era constantemente tomado pela densa névoa que tomava a cidade todos os dias. Um ar constantemente pesado e que dificultava uma previsão segura de climas. Haviam dias quentes como um deserto escaldante, e outros tão frios quanto os trópicos. E talvez para Kyo fosse ainda pior. Habitava o subúrbio. O lugar para onde era mandada a “escória”. Quem não fazia parte do novo mundo criado graças a mão e a ambição de Masasume. Crispava o rosto enquanto arrumava a camisa de lã negra que lhe caia sobre o corpo sobre a camisa básica num tom de grafite. Ajudavam a passar o frio. Descia os olhos calmamente para a frente e os olhos iam acompanhando a estrutura metálica ser engolida pela muralha de pedras e concreto. Os muros que separavam a nata do estorvo. Por alguns segundos fechou os olhos ao sentir o vento forte novamente trazendo desta vez a poeira que vinha junto consigo dos esgotos. E podia ter a total visão de seu passado. - Ei chibi! Não corra para lá! É perigoso!! Não escutava, com 10 anos de idade qualquer criança iria querer apenas brincar e para ele era algo novo, havia uma fenda na muralha, e dava para ver os campos verdejantes que a tecnologia cria sintéticamente ou holograficamente, mas era lindo para seus olhos infantis. - Vem Raiko!! – Chamava a amiguinha de travessuras, tomando-a pela mão enquanto ignorava os gritos de seu irmão mais velho. - Kyo-Kun!!! É perigoso! Ryu está falando para voltarmos!! - Raiko-chan é medrosa!! – Fazia uma breve careta parando os passos pouco antes de cruzar a linha limite. - Raiko não é medrosa!!! – Ela soltava-lhe a mão para cruzar os pequeninos braços sobre o peito e fazer aquele doce bico que as meninas aprendem tão cedo para dobrar qualquer pessoa. Os cabelos negros dividos e presos com elástico de bichinhos em dois cachos no alto da cabeça. – Raiko só sabe que para lá não podemos brincar e Ryu-san vai ficar nervoso com a gente, e vai brigar com a gente quando voltarmos.. vamos voltar Kyo-kun - A gente já chegou aqui, Raiko!! – E o pequeno dedo apontava para a muralha na direção da fenda que exibia o pouco do colorido que poderia haver ali dentro, e a tomava pela mão novamente se preparando para correr em disparada até a muralha. O jovem que os seguia de longe havia parado despreocupado imaginando que eles voltariam com a parada e o emburrar da pequena Raiko, mas não. Eles corriam de novo e desta vez Kyo parecia decidido a cruzar a linha de limites. - Kyo!!! Não!!!! – O jovem corria desesperadamente na direção da muralha, os olhos escuros arregalavam-se na direção do irmão que corria despreocupadamente na frente. – Volte!!! A voz metálica se fez ouvir. Alta tecnologia desenvolvida pela organização que trabalhava com as armas bélicas de Tokyo, e atualmente acabava por alimentar tanto a guarda de segurança como os próprios bandidos. - Atenção . Afastem-se da muralha. Ultimo aviso. Voltem para a linha limite. Afastem-se da muralha! Os olhos azuis de Kyo voltaram-se para a direção de onde vinha a voz, mas o pequeno não conseguia ver alem das cinzas muralhas. Não conseguia ver os canhões no topo e os olhos de agora fechavam-se num controlar da lágrima insistente que queria brotar no rosto, com o cerrar dos punhos ao longo do corpo. - Kyo!!!! – O Jovem Ryu não dava ouvidos para a gravação, precisava retirar o irmão da zona de perigo, e esticava as mãos na direção de onde ele estava. - Ryu-san! – Raiko assustava-se com o grito do rapaz, com a voz metálica que para ela era tão assustadora quanto o próprio monstro do armário que ela jurava ver todos os dias quando visitava os primos. E soltava a mão de Kyo para correr na direção de Ryu, e na pressa, no desespero de fugir daquele lugar tão assustador que os adultos contavam como proibido o pequenino coelho rosa de pelúcia caia. – Satoshy!! – Ela parava para buscar o bichinho novamente e o som dos projeteis eram escutados. E a mão de hoje tapava os ouvidos num crescente desespero, sem conseguir conter as lagrimas que os olhos azuis de antes vertiam naquele mesmo momento quando escutou os disparos. Quando viu o pequenino corpo de sua amiga e amada prima caindo no chão sem sequer ter tempo para gritar. Alvejado e o sangue, era tanto daquele liquido vermelho que só depois ele conseguiu entender o que era. Espalhado pelo chão, pelo coelhinho de pelúcia. E o segundo corpo caia de joelhos, os olhos arregalados na direção dele, a voz quase muda que fugia da garganta de onde escava o vitae. Ryu levava a mão ao peito e a olhava, contemplando o próprio sangue, em segundos o que seria a própria morte. E mais vozes vinham em desespero. - K...yo.. – murmurou sentindo que mais sangue lhe subia a garganta, que a vida aos poucos ia deixando seu corpo. - Ryu!!! – A voz da mulher que vinha logo atrás em uma corrida desenfreada ao ver o filho de joelhos, ao vislumbrar o corpo da pequena ao chão. - Para trás da linha, afastem-se da muralha! Mas que mãe daria ouvidos a um aviso metálico quando seu filho se encontra morrendo diante de seus olhos? A Senhora Hosokawa gritava levando as mãos à boca. Já havia perdido o marido numa das lutas entre gangs e a segurança. O pobre Toboe não esperava passar pela via escura bem no momento em que haveria um embate das duas forças alimentadas de armas, e agora via seu filho mais velho prostado de joelhos no chão e por Deus, onde estava Kyo? - Ultimo aviso, afastem-se da linha limite. Ryu ainda conseguiu olhar para trás, os olhos outrora negros e vividos num tom de palidez. E eram frações de segundos, o pequeno Kyo gritava, desesperado sentindo as lagrimas molharem os olhos de antes, enquqanto os de hoje eram enxutos pelas costas da mão enluvada, de onde os dedos escapavam. E o ruído dos estampidos, o vestido florido da Sra. Hosogawa tingido de um rubro escuro e denso, quando ela abraçava o filho mais velho que perdia as forças em seus braços. Os olhos azuis como os de Kyo que perdiam o brilho assustado e ela em seu amor maternal conseguia forças para erguer-se. Ryu estava morto, a pequena Raiko também. Restava Kyo petrificado próximo a muralha. Ela caminhava para ele, chamando-o pela mão e o abraçava, sentindo o sangue lhe fugir das pernas, das mãos, o frio que tomava seu corpo inteiro naquela manhã de primavera. - Mamãe! – Kyo abraçava-se a ela, tendo o rosto tingido do vermelho sangue que manchava o vestido dela - Shhh. – Engolia forçadamente a própria saliva enquanto no abraço usava o corpo debilitado para proteger o corpo do filho e caminhar de volta para a linha limite. - Afastem-se da muralha. Ultimo aviso! E novos estampidos, restavam dois passos. E a cabeça de Kyo se erguia para a expressão de dor de sua mãe. Para os olhos que se abriam assustados. Para o sangue que brotava ao lábio. E o rosto de hoje abaixava contendo o choro, contendo a dor, a raiva, tendo os cabelos negro e vermelho a cobrir os olhos. E a Sra. Hosogawa caia de joelhos, tendo o corpo a escorregar pelo do pequeno, a mão dela a segurar a dele. Os olhos amorosos a pousarem sobre os dele numa forçada e dolorida despedida. - Ma..mãe? – Não havia mais voz para o pequeno e assustado Kyo. Em minutos tinha um lar, uma família que o amava, e agora? – Por favor mamãe, vamos para casa.. Vamos buscar ajuda pra buscar Ryu e Raiko-chan!! – E os pequeninos dedos seguravam com força a mão pálida da mãe, que já não conseguia conter as lagrimas por sentir a vida partir e abandonar o pequeno daquela forma. - Ultimo aviso. Para trás da linha limite! Novos estampidos e nova expressão de dor da mulher que usava seu ultimo resquício de força, aliado ao desespero do amor de uma mãe para empurrar Kyo para o outro lado da linha, ao tempo em que o corpo caia ao chão inerte e sem vida. - Ocaasaaaaaaaaaan!!!!! – Gritava com os olhos assustados sobre o corpo que jazia inerte sobre a imensa poça de sangue que se formava.. E Kyo gritava ajoelhado sobre a linha, tomando a mão da mãe para si, puxando-a como podia para o outro lado, arrastando-a sobre a areia - Mãe, ocaassan fala comigo ocaassan!!! E o pequenino e fragil corpo debruçava-se sobre a inerte mulher em seu colo, a tentar limpar-lhe a areia do rosto, tentando em vão devolver-lhe o sopro da vida, em meio a beijos, a lagrimas que vertiam dos olhos azuis . E as mãos de hoje se abriam novamente , acompanhando o respirar pesado . 8 anos haviam se passado desde então , e ali estava Kyo, os cabelos vermelhos e negros a mover com o vento, os olhos azuis sobre a mesma muralha, os pés atrás da mesma linha. Era hora de dar o troco. |
