Prólogo

Nome: São tantos nomes, tantos rostos. Por hora basta que me chame de Sandman se te faz feliz

Local: Aqui, alí, acolá, onde a próxima página em branco se abrir

O que amo: Contos, RPG,
Musica, Livros, Poesias,
Filmes, beijos

O que odeio: Palavra forte demais
O que não tolero: falsidade, hipocrisia,
pergunta idiota, gente futil.

Minhas Metas: Ser feliz
não importa onde

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12:34 AM
 

O Encontro



O Vento frio cortava a noite daquela cidade. Todas as noites eram iguais. Tão frias e solitárias, salvo por algumas casas que mantinham a alegria dos encontros conhecidos. Alguns amantes que arriscavam encontros furtivos pelas vielas ou mesmo em carros estacionados em lugar de difícil acesso e pouca movimentação. E os olhos amarelados assistiam aquela rotina estúpida dos humanos. Uma linha tênue surgia no rosto pálido envolto em cabelos de um loiro quase iluminado. Era como uma aparição divina no topo daquela torre tão alta. A roupa de um branco imaculado parecia refletir a luz da fraca lua que lutava entre esconder-se no céu ou iluminar de uma vez aquela noite. As coisas não mudavam naquele mundo que seu criador insistia tanto em manter. Aqueles vermes que ele adotara como filhos. Meneava a cabeça as mãos enluvadas estavam para trás.. quando enfim os passos que esperava eram ouvidos.
- Com a divindade perdeu a compostura pelo horário, meu irmão? – A voz grave saia da garganta pálida do ser loiro no beiral do edifício.
- E desde quando um dos preferidos se preocupa com tempo, irmão? Tens a eternidade a seu favor. – Era a voz de Samekiel. Os trajes negros, os cabelos de um igual breu tomavam parte do rosto do caído.
- Um dos preferidos... não perdeste o sarcasmo...
- Isso foi o que sempre fez-me diferente, Gabriel.
O Loiro sorria, deixando o corpo virar-se num mover tão suave que os pés quase não desencostavam das pedras que formavam o beiral.
- Então é por isto que trocaste a tua divindade? – Os olhos amarelos corriam ao chão, e pequenas formigas pareciam amontoar-se sobre uma outra formiga, por alguns segundos antes de saírem correndo e deixar a pobre formiga atacada no chão.. envolta em uma poça vermelha. – Para viver num lugar assim, escolheste caminhar entre eles?
Samekiel recostava-se a uma parede naquele terraço. Os olhos negros voltavam-se para o ser iluminado.
- Nunca vais entender.. troquei o que chamas de “divindade” pela minha liberdade.. e não Gabriel.. não há preço que pague o que eu sinto agora.. o cheiro.. o gosto.. a lascívia.. as escolhas minhas de a quem proteger e ajudar. Foi por isto que troquei a sua tão adorada escrava divindade...
Os olhos amarelos correram o irmão. Roupas, cabelos. Talvez se em algum momento eles tivessem sido unos.. tivessem sido apenas um espectro angelical, houvessem dois lúcifer no mundo. E ainda duvidavam da sapiência de seu senhor. Ele sorriu.
- Devo crer que este é um não ao chamado, então... – baixava a cabeça por alguns segundos. Aspirando o ar que não podia sentir.
-Não sei pq perde tempo.. alias.. sei sim..pq não há tempo para ele..
- É uma pena irmão...
E a espada era desembainhada. A lamina de um azul metálico e iluminado rasgava o céu na direção de Samekiel, que rolava o corpo para o lado afim de fugir do primeiro golpe.
- Traiçoeiro? – Sorria e a espada negra era erguida. As laminas que chocavam-se com violência uma contra a outra no alto do edifício emitindo raio do metal a se chocar, dando a impressão de que o céu fechado abrigava raios e trovões. Espadas em riste e chocando-se com agressividade de dois lados que já lutaram como irmãos. O branco e o negro num dançar imberbe que misturava capas, peles, vento. A lamina negra que cortava de leve a bela e alva pele de Gabriel. Os olhos amarelados brilhavam em fúria.. e o novo ataque era feito. As asas brancas se abriam em total envergadura e seguia em direção a Samekiel. O caído sorria. As asas cor de chumbo abriam-se afiadas como a própria espada e no trançar de penas sangravam a asa do Arcanjo. Espadas cruzadas forçadas contra o pescoço um do outro.. eles erguiam-se no céu, como centro de um tufão a rodopiar na tentativa insana de soltar-se um do outro e ferir ao próprio irmão. E as asas afiadas livravam-se das brancas. Samekiel impunha o peso do próprio corpo contra o de Gabriel e descia levando o corpo do anjo contra o chão. O ruído estrondoso que fazia no alto da torre. Com o choque do corpo do anjo contra o concreto do telhado. A espada de lamina azul afastava-se do Arcanjo. Ele virava-se na tentativa de retomar a lamina e sentia o aço negro e frio no pescoço.
- Game over, irmão... – o sorriso matreiro e vitorioso. – Volte para casa Gabriel.. e diga mais uma vez que estou usando o que tanto nos é dito como primal. Meu livre arbítrio... Erguia a espada, não machucaria Gabriel, ele era apenas uma peça. Sua falha talvez tenha sido a compaixão. Existem hábitos que jamais mudam. Guardou a espada e em um gesto rápido Gabriel o acertou a cabeça de raspão. A dor. Lacerante que vinha em pulsação como se aquele misero ponto atingido fosse explodir. O filete de sangue que escorria e tomava-lhe parcialmente o olho, prejudicando a visão. Samekiel dava dois passos para trás.. as mãos levadas ao ferimento. Não teve tempo de buscar a espada novamente. O ar.. o tão sonhado e desejado ar que lhe fora agraciado há pouco tempo. Que lhe fora permitido sentir o cheiro. O gosto.. lhe faltava quando a lamina azul transpassava seu corpo. Os olhos arregalavam-se enquanto ele segurava a mão do irmão que lhe atacava a traição. Dor. A falta do ar.. os músculos que pareciam que seriam arrancados do corpo a qualquer segundo.
- Queria tanto viver entre eles, irmão.. agora vai poder sofrer entre eles.. – o sorriso de escárnio que era dado quando Gabriel puxava a mão de uma única vez, trazendo consigo a lamina azul. – Sem o ar que tanto lhe é querido. Sem o.. cheiro dessas coisas nojentas que acha tanta graça em estar perto..
O corpo de Samekiel caia dobrando-se com a mão sobre a ferida. Uma perfuração no pulmão.. ele deixava a mão tocar o chão. O sangue que vinha em grossos pingos com a tosse que lhe saia da boca. Gabriel abaixava-se diante dele.. erguia a cabeça do caído pelos cabelos negros.
- Fez tudo isso por ela não é? E valeu a pena? Este mundo pérfido que vive.. vai valer a pena?
Samekiel sorriu.. em meio a dor lacerante que lhe ardia o peito ele sorria. Com o gosto do sangue que tinha subido à boca.. e levantava-se. Enfermidade.. teria que conviver com ela até encontrar algo que pudesse lhe curar do ferimento de uma espada celestial. Olhou Gabriel nos olhos amarelados do Arcanjo.
- Eu faria tudo de novo, pelo único sabor do beijo dela... Você não sabe o que é um beijo ou o gosto que tem a pele.. e sabe qual a minha alegria? –tossia novamente salpicando o rosto pálido de Gabriel de vermelho – que nunca vai descobrir..
E ria.. ria um riso insano e satisfeito.. para ira e desespero de Gabriel que percebia, que no fundo, aquele caído ferido tinha razão.


Rabiscado por Sandman

4 :... Encontre a si mesmo ...: